A Level up está falindo? – Entrevista com a Level up

Quando alguém cita o nome da Level Up Games em quase todos os locais da internet, a chance de vir coisa boa não é muito alta. Apesar da empresa ter trazido a alegria para vários jogadores com excelentes jogos, também protagonizou várias polêmicas e já foi e ainda é acusada de não ligar para mais nada além de ganhar o máximo de dinheiro a curto prazo. Ainda sim, pouca gente resolveu realmente perguntar a empresa o que ela tem a dizer sobre as diversas acusações que ela recebe e eu logo pensei que era porque eles não respondiam ninguém, mas estava errado, pois o próprio CEO da Level Up, Julio Vieitez, me respondeu por e-mail, inclusive sendo convidado para visitar a sede da Level UP por um dos assessores de imprensa deles, o Theo Azevedo, todos eles sendo muito simpáticos a um cara como eu que já chegou da forma mais cretina possível, fazendo perguntas bem complicadas, mas infelizmente não pude ir pessoalmente, pois moro bem longe de São Paulo capital, entretanto isso não prejudicou na qualidade das perguntas e respostas que acredito que são bem esclarecedoras e algumas até inéditas.

– Sabemos que o modelo de negócio free-to-play é um dos mais lucrativos aqui no Brasil, entretanto ainda há uma reclamação dos jogadores sobre ele não ser exatamente justo quando alguém que paga pode ter acesso a itens bem difíceis de serem conseguidos sem pagar. Muitos chamam essa prática de pay-to-win, isto é, pagar para ganhar. Como vocês recebem essas críticas e o que vocês tem a dizer para os jogadores que acham a prática de vender itens com muitas vantagens deixa o jogo injusto?

Acredito que depende muito do design do jogo. Quando o mercado começou a mudar de Pay-to-Play para Free-to-Play foi necessário um tempo até que os desenvolvedores se acostumassem e aprendizados fossem adquiridos com a prática.

Aos poucos os desenvolvedores foram se aprimorando e encontrando um equilíbrio entre o que vender, o que não vender, e quais os valores a serem cobrados.
League of legends – Jogo da Riot que não cobra por itens que dão vantagens nas partidas

– Por que a Level UP não usa um modelo de negócio parecido com a Riot de vender apenas itens cosméticos?

Na verdade quem cria e decide o rumo de itens que serão vendidos é o desenvolvedor. Temos autonomia para sugerir os itens que vêm pras lojas em alguns títulos, mas a palavra final é sempre da desenvolvedora. Falando um pouco sobre modelo de negócios, estaríamos comparando gêneros diferentes de jogo, criados em momentos diferentes e com mecânicas diferentes. Num MOBA, onde seu progresso inicia e é concluído dentro da mesma partida, realmente não faria sentido a venda de alguns tipos de benefícios encontrados em outros gêneros.

– Qual é a liberdade que a Level UP tem na monetização dos seus jogos tendo em vista que ela é apenas uma administradora e não uma desenvolvedora?

Como disse anteriormente, praticamente só podemos dar sugestões do que entendemos que seria o ideal pro momento do jogo, mas a decisão final de se os itens serão lançados, e como serão lançados, é da desenvolvedora. Onde temos mais liberdade é em oferecer meios de pagamento e canais de distribuição para a compra de créditos. As decisões da loja costumam ser em nível mundial, e não voltada apenas para uma versão. Existem exceções, como o Ragnarök, em que alguns servidores têm itens exclusivos ou itens que são lançados de maneira diferente em cada território de acordo com momento ou balanceamento local.

– Existem muitas reclamações de corrupção de GM as quais não sabemos se são verdade. Alguns afirmam que GM dão vantagem injustas a jogadores em campeonatos. Vocês confirmam se isso já aconteceu? Qual a punição essas pessoas recebem? Vou deixar o vídeo de uma das pessoas que afirmam isso: https://www.youtube.com/watch?v=_JYbStlvNNo

O primeiro ponto importante a esclarecer é que atualmente a Level Up tem 130 funcionários, em diversas áreas, como TI, atendimento ao consumidor, marketing, administrativo, etc. Há muitos anos não temos mais o cargo GM, sendo que as funções foram divididas entre outros cargos (Game Experts, Equipe de Análises e Operações e Atendimento).

Estou na empresa desde 2004, e lembro de dois casos relevantes em que tivemos de má conduta, um em 2005 e outro em 2010. Em ambos os casos fizemos a demissão das pessoas. Porém, não tinham nenhuma relação com campeonatos.

Temos também uma auditoria interna, e sempre que há alguma denúncia ou suspeita analisamos o ocorrido. Obviamente, não há nenhum interesse pela empresa, e pelos colaboradores que trabalham para que os jogos sejam divertidos e justos, que algo irregular aconteça.

– Uma das reclamações que mais vemos sobre a Level UP é a neglicencia em banir jogadores trapaceiros. Muitos dizem que a demora faz com que compense usar hacks e bots sem serem punidos. Por outro lado, vi uma entrevista com alguns membros da empresa que disseram que a Level Up é bastante processada ( https://www.youtube.com/watch?v=maAN7W68Cb8 ). A demora em banir jogadores realmente acontece? Ela pode estar ligada em conseguir todas as provas para só depois banir o jogadores e assim conseguir vencer um eventual processo?

Sim, o maior problema e maior gasto de tempo num procedimento de punição é a etapa de colher as provas. Infelizmente, ela é necessária e bastante complexa na maioria dos casos. Realmente a vasta maioria dos processos que recebemos é de gente que alega que foi injustamente banida, contudo, raramente perdemos. Tivemos sucesso recentemente no combate a cheaters em FPSs e estamos trabalhando para tentar viabilizar uma solução similar também para RPGs. Porém ainda é cedo para saber se funcionará.

Grand Chase – Um dos maiores sucessos da Level UP Games

– Circulou na internet em vários locais uma resposta oficial da KOG sobre o fim do Grand Chase no Brasil ( http://sites.levelupgames.com.br/forum/ragnarok/showthread.php?152643-Olha-como-a-lug-e-bem-vista-por-empresas-serias&styleid=2 ) Essa resposta é verdadeira? Vocês tem planos de continuar insistindo com a KOG de trazer de volta o Grand Chase?

A resposta citada é verdadeira. Era nosso desejo que o jogo continuasse, mas respeitamos a decisão da KOG. E é um fato que as atribuições de desenvolvedores e publicadores são distintas mesmo.

No momento não há mais conversas para o jogo retornar, e a KOG optou por lançar um jogo mobile com a marca do Grand Chase.

– Quais foram os motivos da abandono do modelo de assinaturas no Ragnarok Online? Imposição da Gravity? Prejuízos?

Foi uma decisão global da Gravity e mundialmente, não apenas no Brasil, o jogo se tornou mais rentável. Atualmente pouquíssimos MMOs são Pay-to-Play.

– O Ragnarok não ser mais hospedado pela Level UP foi uma decisão da própria Level UP ou da Gravity?

Foi uma decisão conjunta. A Gravity vem mundialmente fazendo a publicação por contra própria, e não apenas no Brasil. Só para esclarecer que os servidores continuam sendo hospedados pela Level Up. O que mudou é que a Gravity agora, através da WarpPortal Brasil, toma todas as decisões do produto (incluindo promoções de ROPs, itens, etc).

Ragnarok Online – O primeiro jogo da Level UP Games no Brasil

– Um dos momentos mais confusos para os fãs brasileiros de MMOs foi o cancelamento da vinda do Tree of Savior para o Brasil. Segundo essa reportagem http://mmorpgbr.com.br/tree-of-savior-imc-games-e-level-up-encerram-parceria-para-versao-brasileira/ a Level UP e a IMC Games não entraram em acordo. Aparentemente problemas de segurança e desempenho dos servidores seriam as principais razões. Foi isso mesmo? Se foi esse o motivo, por que não conseguir melhores servidores ou terceirizar esse serviço com outras empresas?

A decisão não teve nenhuma relação com desempenho de servidores. Na verdade, o plano num primeiro momento era traduzir o jogo e divulgá-lo no Brasil. Depois, se o número de jogadores atingisse um certo patamar, lançaríamos servidores locais.

A IMC optou por fazer ela mesma a divulgação do jogo, e nós também achamos que o end game precisava de melhorias. No final, eles decidiram trabalhar sozinhos.

– Algumas pessoas afirmam que a Level Up supostamente estaria falindo, pois atualmente ela administra muito menos jogos do que antes. Isso é verdade? É um problema mundial ou é algo que pode ser corrigido?

Não é verdade. O que acontece é que o mercado de MMOs mudou muito. Antigamente existiam centenas de projetos e muitos deles eram interessantes. Agora, existe uma concentração de desenvolvedores para jogos mobile. Essa é uma tendência mundial. Além disso, desenvolver MMOs ficou cada vez mais caro, o que afastou ainda mais os desenvolvedores de médio porte.

Fora isso, lançar um MMO é muito caro. Existe o custo de licença, servidores, tradução, campanha de divulgação, etc.

Atualmente, além de publicar jogos temos uma loja de distribuição de games e créditos (www.hype.games) que está indo muito bem e prestamos serviços para dezenas de desenvolvedores de peso que querem ter uma presença no Brasil, mas optam por não ter um escritório local.

– Tendo em vista que a maioria do público que joga free-to-play está nos celulares e a grande parte dos jogos da Level UP são de PC, por que a Level Up não está migrando para o mobile? Ou será que está?

Nós já trabalhamos com alguns jogos mobile, mas apenas na divulgação, gerenciamento de comunidade, atendimento e e-sports. Nestes casos, não aparece a marca da Level Up, e sim a marca do jogo.

Gunz: The Duel – Jogo de tiro em terceira pessoa com elementos de RPG

– Muitos atribuem o fim do The Duel pela falta de controle dos hackers no jogo. Isso é verdade?

O principal motivo foi a falta de updates. Chegamos a um ponto em que nem armas novas eram lançadas, e isso, para um jogo de tiro e ação, é o mínimo necessário. Nós oferecemos ao desenvolvedor que fizéssemos alguns itens aqui no Brasil (apenas a parte de design, o código seria feito por eles), mas eles optaram por manter todo o desenvolvimento in-house. Aí, desistimos de continuar com o jogo.

– Os fãs de MapleStory são inconformado com o fim do jogo. Afirmam que muitas pessoas ainda jogavam e gastavam dinheiro. Na nota da Level UP sobre o fim apenas diz que a desenvolvedora não estava contente com o desempenho do jogo. Muitos acreditam que isso não tem lógica. O que levou a esse fim? Decisão financeira? Satisfação dos jogadores? Proteção da marca?

Mesmo com uma comunidade muito apaixonada e envolvida com o jogo, os números de jogadores brasileiros eram muito baixos, e a Nexon optou por não renovar o contrato.

– Recentemente o jogador Mortelle desafiou a Level UP em pagar um servidor sem práticas as quais muitos jogadores de Perfect World acreditam que são nocivas. Vocês podem saber mais detalhes sobre isso nesses links:
https://sites.levelupgames.com.br/forum/perfectworld/showthread.php?54147-Vamos-recuperar-o-PW

https://www.youtube.com/watch?v=66z97Ln7Mco

Pois bem. a justificativa da Level UP foi um tanto estranha, pois por qual razão a desenvolvedora não deixaria criar mais um servidor? Outra questão, abordada na resposta, por que teriam problemas em fazer merge se os bancos de dados são praticamente iguais, apenas com algumas configurações diferentes?

A resposta é bem coerente. Existem mesmo diversos problemas em lançar um servidor novo como detalhado na resposta indicada no fórum do jogo mesmo. A questão do merge é que, ao lançar um servidor novo, é normal que haja migração de outros servidores. Com o tempo, se um servidor acabar ficando com poucos players somos forçados a fazer o merge, pois se ficar com poucas pessoas, acaba ficando chato e mais difícil de jogar, especialmente em RPGs onde são necessários grupos para cumprir alguns objetivos e a economia que depende também dos jogadores para circular de maneira saudável.

Veja aqui os comentários sobre essa entrevista feitos no meu canal do youtube:

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