Sonic 4 é tão ruim quanto dizem? – Análise


(TODO CONTEÚDO DESSE TEXTO PODE SER VISTO NO VÍDEO ACIMA)

A franquia Sonic é uma das mais controversas no mundo dos videogames. Apesar de ter uma base de fãs que gosta de praticamente qualquer jogo do ouriço que saia, muitos outros acham que Sonic se perdeu ao migrar para o 3D. Para tentar agradar esses dois públicos, resolveram voltar o jogo para as origens com o Sonic 4, uma continuação direta de Sonic 3 & Knuckles do Mega Drive, mas ao mesmo tempo, trazendo algumas coisas mais modernas. Será que essa combinação deu certo?

Lá em 2010, quando foi lançado Sonic 4, algumas “voltas as origens” estavam chamando a atenção do público. New Super Mario Bros entregava um jogo clássico do bigodudo da Nintendo sem muitas inovações, mas com um excelente design de fases, gráficos bastante charmosos para o Nintendo DS e jogabilidade 2.5 D, que apesar do jogo ser 3D, tinha uma visão lateral do mesmo jeito que os jogos 2D do passado. Isso deu tão certo que a Nintendo transportou a mesma para o Wii, o seu console de mesa da época, sendo um outro sucesso. Várias empresas resolveram fazer o mesmo, a Konami com o Remake de Castlevania Rondo of Blood, a Capcom com os remake de Megaman X e Megaman 1 e a Sega com o Sonic 4.

Para trazer o Sonic de volta ao passado, a Sega fez uma parceria do Sonic Team, que era o time interno da empresa encarregado principalmente de desenvolver jogos do ouriço azul e a Dimps, que fazia jogos com jogabilidade 2D do ouriço tanto para o game boy advance quanto para o DS, trabalhando junto com o Sonic Team na incrível trilogia Sonic Advance e em outros jogos como Sonic Rush, esse último inclusive trazia uma pegada diferente para os títulos da série, focando mais nas corridas e também era 2.5 D assim como o Sonic 4. Nada poderia dar errado, né? Pois é. Mas deu.

As coisas começaram a ficar estranhas quando anunciaram que o jogo seria dividido em episódios. Tudo bem, algo parecido aconteceu com o Sonic 3 e não foi tão ruim. Mas quando o jogo saiu, os jogadores descobriram a razão: Sonic 4 era uma completa aposta. A Sega não queria gastar muito dinheiro e tempo com isso, tanto que ficou evidente que o jogo saiu de qualquer jeito.

O visual do jogo já entregava que ele não está muito polido, pois parecia um jogo de PSP em um remake HD. Mesmo considerando que o jogo deveria rodar no Wii, um console muito menos potente que o Xbox 360 e Playstation 3, ainda sim não era justificado, pois a direção de arte resolveu deixar tudo com visual emborrachado e os cenários eram meio sem imaginação, totalmente genéticos e trazendo poucas ideias novas. O maior destaque mesmo fica para a fase da caverna onde o Sonic acende tochas para iluminar o cenário.

Até ai tudo bem, os fãs queriam as coisas antigas de volta, então se o problema fosse apenas visual, estaria de boa, mas o design das fases nem parece ter sido feito pelo mesmo time que trabalhou tão bem nisso nos Sonics Advance. É tudo pouco desafiador até chegar em determinada parte da se que dava um pico de dificuldade enorme, meio que querendo alongar artificialmente o jogo.

Claro tudo isso foi fichinha perto do que fizeram com a jogabilidade, que ficou totalmente quebrada, virando meme em todos os locais da internet. O controle do personagem, que nos jogos antigos não era dos melhores ficou pior. Você sente como se o ouriço parasse o movimento sem respeitar a inércia que deveria fazer ele continuar andando e o personagem demora para engrenar uma corrida. Essas mudanças tem suas vantagens na hora de desviar rápido de um obstáculo e com o tempo você costuma com a jogabilidade estranha, menos com o pulo teleguiado. Inicialmente parece uma novidade interessante, mas se você apertar o pulo no ar sem nada para mirar, provavelmente vai dar um dash para um lugar aleatório e cair no buraco. Em um jogo que o que mais você aperta é pulo, uma funcionalidade dessas não faz sentido.


Esse episódio 1 é totalmente ruim? Até que não. Se você aceitar os controles ruins e conseguir dominá-los, o jogo é apenas medíocre, por ser sem imaginação e completamente mal polido, mas ainda é jogável, principalmente por ser curto, pois dentro de no máximo 3 horas você o termina, tendo poucos motivos para voltar a jogar. Com certeza está entre os piores momentos do ouriço, mas incrivelmente teve aqueles que gostaram do jogo na época e ele até conseguiu notas acima de 70 vindas da mídia especializada, o que é compreensível devido a carência de jogos com jogabilidade 2d do ouriço que não davam as caras nos consoles de mesas desde o tempo do Mega Drive, mas ainda sim bizarro, pois esse jogo não chega nem perto dos títulos antigos do 16 bits da Sega.

Tentando se redimir desse fiasco, a Sega permitiu que os mesmos times fizessem o episódio 2, outra coisa nenhum pouco estranha, pois a recepção dos títulos mais novos da franquia estavam sendo sempre mistas, então valia a pena arriscar. Dessa vez Sonic não estaria mais sozinho e traria o seu amigo Tails para a aventura e o vilão Metal Sonic iria voltar, sendo um chefe e também personagem jogável.

Por incrível que pareça, o episódio 2 é um bom jogo. Não chega ser excelente, mas os principais problemas do título anterior como física estranha e falta de criatividade foram corrigidos. O título vai além e não faz apenas uma homenagem os jogos antigos do ouriço, mas entrega algumas novidades interessante, como a possibilidade de ativar habilidades especiais com o Tails, como poder voar ou fazer um giro destruidor. Isso muda bastante a forma de explorar e até deixa o ajudante do Sonic muito mais útil do que ele era nos jogos 2D antigos da série. As fases trazem ideias novas e relembram coisas antigas, tendo uma boa progressão.

Esse segundo episódio inclusive é mais longo que o primeiro, quase sendo um jogo completo e tendo 3 fases exclusivas para se jogar com o Metal Sonic e descobrir com ele sobreviveu aos eventos do Sonic CD.

Mas o estrago feito pelo episódio 1 estava feito. Muita gente não jogou, pois além da má reputação do primeiro, quando o segundo capítulo de Sonic 4 saiu, esse negócio de reviver jogos antigos não estava mais tão na moda assim, por isso infelizmente o episódio 2 não teve a mesma aceitação e nem vendeu tão bem.


A Sega aparentemente tinha um plano de lançar um terceiro episódio de Sonic 4, mas foi engavetado e a empresa praticamente finge que Sonic 4 nunca existiu. Uma pena que não tiveram uma oportunidade de fazer um jogo ainda melhor, mas também é uma lição que a Sega e o Sonic Team se negam a aprender de que os jogos do Sonic merecem muito mais cuidado e polimento do que recebem e o público não está sempre disposto a dar segundas chances.

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