Ragnarok Mobile – A reinvenção do clássico


(TODO CONTEÚDO DESSE TEXTO PODE SER VISTO NO VÍDEO ACIMA)

Depois de tantas mudanças que desagradaram os fãs, Ragnarok Online mostrou sinais de cansaço. Muito gente o abandonou por cansar de sofrer na mão da level up, outros simplesmente encheram o saco da repetição que esse tipo de jogo acaba gerando na maioria do público. Não adianta mudar o antigo, pois isso é como trocar o pneu de um carro em movimento, isto é, as chances de dar errado são gigantes. Não que a Gravity não tenha tentado, com a atualização Renewal que modernizava um pouco as coisas, forçando os jogadores a jogar em outros mapas e matarem monstros diferentes, mas ao mesmo tempo obrigava a fazer algo que antes não era necessário, por isso é difícil um jogador que tenha gostado dessa mudança. Mexer em um código tão antigo de um jogo lançado em 2002 imagino que seja bastante trabalhoso, caro e o motivo da dificuldade de barrar os bots. Tendo isso em mente, como Ragnarok poderia continuar como uma marca forte? A resposta seria fazer outro jogo moderno, que não obrigasse ninguém a mudar para ele, que fosse cheio de coisas para fazer e que ao mesmo tempo não desse tanto trabalho para a sua desenvolvedora. A resposta foi Ragnarok Mobile: Eternal Love.

Diferente da tentativa mais ambiciosa anterior, que foi o Ragnarok 2, o mobile, como o próprio nome já diz, foi focado para rodar em dispositivos móveis, inicialmente apenas para o mercado chinês. Óbvio que eles esperavam lançar pelo mundo, mas acredito que o sucesso foi maior e mais rápido do que o esperado. Logo os jogadores adoraram, começaram a surgir patch de traduções feitas por fãs para o jogo ficar em inglês e pessoas de vários locais do mundo começaram a invadir em massa esse MMO, inclusive brasileiros.

Quase dois anos depois do lançamento na China, Ragnarok M: Eternal Love, também conhecido como rag mobile, chegou ao Brasil, com tradução em português, uma das piores que já vi em um jogo na vida, feita por muita gente sem nenhuma familiaridade com o idioma inglês, pois está cheia de termos adaptados de formas literais e textos sem sentido, mas que não impediu o jogo ser um sucesso imediato, pois todos os canais do jogo, que atuam como se fossem servidores que você pode trocar a vontade, estão cheios de gente querendo se aventurar.

Para quem está perdido, Ragnarok Mobile é um MMORPG inspirado em Ragnarok Online. O original ainda está online até hoje, perdendo jogadores a cada dia, por isso a necessidade de atualizar o que já foi um dos maiores jogos do estilo, nesse caso fazendo um jogo do zero, dessa vez com gráficos completamente 3D, mas com aquela pegada anime do original.

Então a pergunta que não quer calar: Ragnarok Mobile trouxe o jogo de volta e corrigiu os problemas do game antigo? A resposta não poderia ser outra: Sim! Os monstros e lugares que lembramos com nostalgia retornaram reformulados e mais bonitos. As classes clássicas marcam presença também, fazendo o jogo ser um prato cheio para aqueles que querem voltar para esse mundo e sentem saudades dele.

Mas os problemas antigos voltaram? Felizmente não. O jogo é bastante controlador e quer ter o mínimo de dor de cabeça com trapaceiros, então tiraram a possibilidade de trocar e passar itens para outros jogadores. Parece algo ruim, mas na verdade é genial. Todo o design do jogo é feito para que você não dependa de trocar itens diretamente com ninguém e isso destrói a estratégia dos malandros de colocar um monte de bots para conseguir itens para vender com dinheiro real no mercado livre. Claro que se você quiser vender seus itens, ainda pode usar o mercado próprio do game, com um preço que o jogo vai estipular quanto ele vale. Eu vejo muita gente reclamando dessas funcionalidades ausentes, mas isso controla a economia de modo absurdo, pois não adianta mais fazer um monte de bots, porque você não vai conseguir vender itens por fora e muito menos manipular o preço de um item, pois o jogo que define o quanto ele vale, de acordo com a oferta e procura dele no mercado. Se tem muita gente querendo, o preço aumenta, mas se as pessoas resolvem ir atrás desses itens para vender, o preço deles acaba caindo. Isso é muito bom, pois você sempre consegue comprar um item por um preço justo.

O golpe final nos trapaceiros é o autoatack. Com essa funcionalidade, você pode colocar o seu personagem para jogar sozinho, não tendo a necessidade de ficar matando um monte de monstros na mão, é praticamente um bot legalizado. Não é uma novidade em MMOs de celular, mas não deixa ser interessante eles perceberem que a coisa mais chata no original era a repetição de ficar sempre fazendo a mesma coisa e isso os desenvolvedores do mobile querem deixar claro que não é a filosofia do jogo, tendo muita coisa para fazer além de passar de nível, por isso implementaram também um sistema de estamina que depois de um tempo diminui a experiência e recompensas conseguidas de monstros de tal forma, que compensa esperar o outro dia para continuar matando monstros selvagens aleatórios. Nessa hora vocês podem fazer quests, que o guiam em um enredo que até tem um final, embora você possa continuar jogando depois.

Outra atividade interessante é preencher o livro do aventureiro com monstros, localidades e façanhas que você fez. Para isso, você conta com uma câmera, que é uma das novidades mais interessantes dessa versão mobile de Ragnarok. Além dela servir para você tirar fotos para espalhar nas redes sociais, você tem a missão de documentar todos os locais de destaque e monstros do jogo. Completando esse verdadeiro álbum de figurinhas, você destrava diversas coisas como saber os itens que determinado monstro solta, não precisando recorrer tanto assim a guias. Preencher o seu livro de aventureiro também pode aumentar permanentemente status como ataque e defesa, elevando também o seu nível de aventureiro, o qual vai desbloquear ainda mais possibilidades, então pode acreditar que você não vai se sentir freado pelo jogo quando a estamina acabar, muito pelo contrário, é nessa hora que ele vai brilhar, pois vai te entregar recompensas constantes que deixam o jogo ainda mais viciante e variado, saindo daquela velha monotonia de só matar monstros que diversos outros MMOs tem.

Talvez um aspecto que seja decepcionante para alguns, mais interessante para outros é o design um pouco individualista do Ragnarok Mobile. Apesar de ter as mesmas classes do original, grande parte delas estão longe de serem incompletas para te forçar a jogar em grupo, muito pelo contrário, você praticamente tem um grupo controlado por inteligência artificial jogando com você, desde pets até gatos assistentes. Os felinos atuam para cobrir o que sua classe não faz bem. Por exemplo, se você é um arqueiro, vai levar dano fácil, então chame um gato que absorva parte do seu dano, mas se o seu problema é ataque, chame outro para bater.

Não é nem necessário outra classe para dar buff, os famosos aumentos temporários de atributos, pois o game conta com um sistema de cozinha o qual você pode fazer pratos que fazem essa tarefa. Trata-se de um sistema bastante robusto, o qual se você tiver tendo dificuldades de matar monstros muito fortes, pode comer algo para aumentar sua defesa por um curto período de tempo, mas se quiser matar mais rápido, também existem comidas que aumentam o ataque. Com o tempo você tanto fica melhor para fazer os pratos sem errar, quanto para aproveitar mais buffs de uma vez.

O que faz o jogador deixar de jogar sozinho é o sistema de guilda, que meu amigo, está muito melhor. Além de você conseguir vantagens únicas por jogar com os membros da guilda, você pode passá-la de nível fazendo contribuições, que além de liberar coisas novas como dungeons exclusivas, você pode conseguir runas para deixar o seu personagem ainda mais forte.

Lembro o quanto fiquei decepcionado ao saber que os pets no Ragnarok original era pouca coisa além de enfeites que gastavam dinheiro com alimentação. Felizmente no mobile isso é diferente e os bichinhos de estimação tem uma importância grande, pois além de te ajudar a bater em monstros, eles podem ir em missões sozinhos e trabalhar em lojas para conseguir itens. Você vai querer capturar vários, levá-los consigo para ficarem mais fortes e aumentar a intimidade com eles para que sejam mais eficientes.

Percebeu a quantidade de coisas que dá para fazer nesse jogo? Pois é, é muito bom estar fazendo tudo isso logo no começo no lugar de esperar estar no nível mais alto para realmente aproveitar o jogo como acontece em outros jogos do estilo, inclusive no Ragnarok Original.

As classes talvez sejam os maiores problemas desse game, pois o desequilíbrio delas é enorme. Enquanto o noviço ainda é dependente de grupos, outras classes como os espadachins e gatunos são extremamente auto suficientes, principalmente se combinado com pets e gatos. O espadachim é uma das classes mais roubadas, pois tem um dano enorme e aguenta muita porrada, tanto que conheço gente dessa classe que criou uma outra conta de noviço, coloca ela para seguir o espadachim e pronto, ele consegue fazer dungeons sem ninguém com ele, enquanto outra classe como o Caçador, que inclusive é a classe a qual eu escolhi para jogar, o dano é baixo e também não aguenta porrada, por isso conseguir grupos é bem complicado. No PVP então você sempre vê as mesmas classes por lá, pois se eu como Caçador tentar bater em um cavaleiro é como cavar uma parede com uma colher de sopa. Claro que o Caçador com os itens corretos, também vira uma classe boa e o noviço é muito requisitado na hora de fazer dungeons mais difíceis, mas ainda sim, faltou um cuidado maior dos desenvolvedores em criar um equilíbrio entre as classes que seja constante com o passar dos níveis ou em até pensar se algumas classes combinavam com essa filosofia mais individualista que o mobile tem, pois o mercador ficou meio sem muito propósito, pois antes ele era a única classe que poderia fazer itens e vendê-los, agora todas as classes podem fazer isso. Nesse pontos fica claro que a ideia era trazer tudo que era possível do original, mesmo que isso não seja exatamente bom a longo prazo.

Que coisa maravilhosa é a interface desse jogo. Você encontra tudo muito fácil e ela automatiza muita coisa que simplesmente é burocrática e não compensa fazer manualmente. Se você precisa falar com um NPC em uma cidade, vai no mapa, escolhe a cidade e o NPC, então o personagem vai caminhar até lá de forma automática. Não quer voltar para a cidade para vender itens? Clique em um botão e os venda. Aperte outro botão e manda para a box.

Nunca jogou Ragnarok? Bom você já deve ter percebido que até quem já tinha jogado vai ter que aprender tudo do zero nessa reimaginação do Rune Midgard, então você não vai se sentir intimidado em jogar algo que está com o servidores ligados há mais de 15 anos. A comunidade do jogo não é das piores por ter muita gente mais velha jogando, o que ao meu ver garante um pouco de maturidade se comparado com outros jogos da moda, mas não espere muito. Precisa de um celular ou PC que seja no mínimo mais ou menos para rodar sem problemas, pois sim, apesar de ser um jogo mobile, ele tem até emulador oficial para rodá-lo em computadores e mesmo que os gráficos parecerem simples, o jogo é bem pesado quando rodado no emulador.

O que adianta ser bom se o jogo tentar te arrancar até o último centavo de dinheiro real, não é verdade? Então, nesse ponto o mobile implementou formas muito mais inteligentes e pouco agressivas de monetizar. Para começar, o game tem um vip, um passe que você ganha alguns benefícios, nada que vai quebrar o jogo ou te obrigar a gastar dinheiro se quiser continuar forte ao passar de nível. Eu tenho esse passe vip, mas não gastei nenhum centavo com o jogo e aí é que vem a parte interessante: Você pode comprar o vip com dinheiro do jogo. E esse não é o único item premium que você consegue jogando. Pagar apenas vai acelerar um pouco as coisas. Eu sei que essa opinião é um pouco controversa, mas acredito que acertaram muito em equilibrar a monetização de uma forma que não vai deixar tudo uma moleza e forçar as pessoas a gastarem, sendo que por esse motivo, você até se sente bem em abrir a carteira, pois não é como se estivessem te enganando.

Apesar de alguns problemas que não atrapalham muito a diversão, Ragnarok Mobile é sem dúvida a volta triunfal que os jogadores que desistiram do clássico tanto esperavam. A primeira vista as coisas são familiares, mas logo você vê a profundidade do excelente trabalho feito em modernizar o original. Se algum dia você gostou de Ragnarok, recomendo fortemente dar uma chance para o Ragnarok M: Eternal Love e talvez você viva novas aventuras tão empolgantes quanto as do passado.

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