Tomb Raider 2013 – Melhor jogo da franquia? – Análise

(TODO CONTEÚDO DESSE TEXTO PODE SER VISTO NO VÍDEO ACIMA)

Quando Tomb Raider surgiu lá no meio da década de 90, foi uma verdadeira revolução que hoje em dia eu acho até cômica, pois a principal novidade na época é que uma mulher era protagonista do jogo. Não que esse fato tenha sido realmente algo inédito, pois jogos como Phantasy Star 1, Valis e Final Fantasy 6 já tinham feito isso, mas pela primeira vez uma mulher protagonizava um título grande e popular entre a maioria dos jogadores da época, embora eu particularmente achava e ainda acho que os primeiros jogos da franquia eram uma porcaria, mesmo na época. A jogabilidade era terrível, os desenvolvedores tentaram colocar muita coisa, sendo que a maioria delas foi péssima executada e a Lara Croft, protagonista do jogo, era explorada de maneira sexualizada e não me entendam mal, eu não sou contra existir jogos que fazem esse uso da sexualidade feminina, eu apenas acho desinteressante, principalmente porque deixava a personagem muito vazia. Ela apenas era um heroína porradeira e gostosa, nada além disso. Isso foi mudando aos poucos com o decorrer da série. No Playstation 2, a Lara ainda continua porradeira, porém um pouco menos sexualizada e com jogos os quais têm jogabilidade muito mais funcionais. Mesmo assim, posso dizer que só fui gostar mesmo de Tomb raider depois do reboot da série em 2013 chamado apenas Tomb Raider.

Nessa nova aventura, Lara é iniciante, nunca tinha matado ninguém, nem mesmo animais. A equipe de arqueólogos, a qual ela trabalha, acaba caindo em uma ilha misteriosa, cheia de gente maluca e uma tempestade infinita que não deixa ninguém sair de lá, forçando a mulher a se virar, descobrir o que está acontecendo, quem são aquelas pessoas e porque ninguém consegue sair de lá.

É inegável que essa nova versão de Tomb Raider se inspirou bastante em Uncharted, uma famosa franquia de ação a aventura que por sua vez tinha se inspirado nos jogos antigos da série Tomb Raider e levado esse estilo de jogo a outro nível, então basicamente Tomb Raider se inspirou em um jogo que se inspirou em Tomb Raider. Sim, meus amigos, o mundo dos videogames também dá voltas, mas diferente desses outros jogos, aqui eles tentam contar como a Lara virou a heroína porradeira que a gente conhece e talvez esse seja o ponto o qual o jogo mais falha, pois sei lá como, a Lara ficou tão chutadora de bundas de uma hora para outra. O jogo tenta fazer isso aos poucos, mas logo, você já está matando geral. O enredo tenta vender uma história de sobrevivência, mas eu nunca está sentindo que estava faltando recursos. Na dificuldade normal você nunca fica sem munição de todas as armas, não sendo necessário economizar nada e apesar do sistema de caça de animais, você nem precisa abatê-los se não quiser, pois eles apenas dão pontos de experiência. Também não existe barra de vida, basta se esconder em algum lugar e esperar um pouco que toda sua saúde volte para o máximo.

Claro que se o jogo não tentasse vender toda essa proposta de sobrevivência e de origem da personagem, a gente nem sentiria falta disso ser representado durante o gameplay, pois todo o resto é bem executado. A ação furtiva é boa, embora não excelente, tendo a opções de matar os inimigos na força bruta ou na surdina, embora se um inimigo te perceber, ele magicamente descobre a sua posição exata mesmo que você esteja bem escondido e não adianta matar o inimigo logo em seguida, mesmo antes dele ter tempo de avisar qualquer pessoa sobre a sua posição, todos os inimigos do cenário saberão onde você está, como se fossem telepatas, mas se você conseguir sem ser percebido por ninguém, poderá passar por áreas bem difíceis sem problemas.

Talvez a única característica do gameplay que representa um pouco o lance de sobrevivência é a construção das armas. Espalhados pelo cenário estão alguns recursos genéricos que você pode coletar para construir as suas armas, caso tenha achado os projetos delas pelo cenário, deixando-as mais eficientes em quesitos de prioridade os quais o jogador por escolher. Ainda é possível usar os pontos de experiência para desbloquear as habilidades naturais de Lara, como aumentar resistência a dor ou liberar algum movimento novo. Senti falta de um sistema um pouquinho mais complexo, porém ele é bastante satisfatório e me incentivava a prolongar o jogo de forma divertida, procurando em cada canto do cenário, inclusive as tumbas opcionais, locais com algum quebra cabeça muito bem feitos e variados, bloqueando o caminho de baús de tesouros cheios de recursos para deixar a personagem mais forte. Tudo isso faz com que, mesmo que o jogo seja linear, o jogador tenha incentivos para explorar, inclusive voltando a cenários antigos com habilidades novas para procurar objetos escondidos os quais antes eram inalcançáveis.

Os cenários abertos, bastante utilizados nos jogos anteriores da série, os quais você tem que descobrir para onde ir, deram lugar para caminhos mais lineares, porém intuitivos e mesmo que você não saiba para onde ir, o jogo conta com uma visão de instinto de sobrevivência para te indicar o que se pode interagir naquele lugar, não entregando a solução, mas dando maneiras de você descobrir por si mesmo. Alguns podem achar que isso tira um pouco da graça de explorar, algo que a franquia era famosa por fazer, mas ao menos impede que o jogador fique perdido sem saber para onde ir, algo bastante frequente nos jogos anteriores da série. Talvez para compensar isso, a jogabilidade, o maior problema da série no passado, melhorou bastante, tanto em momentos de escalada quanto nos combates. Tudo que se espera de jogos de tiro em terceira pessoa pode ser visto aqui, com o uso de cenários para se esconder de tiros, inimigos que reagem bem ao seu ataque e uma boa variedade de armas, com destaque ao arco, uma arma bem gostosa de usar, por ser silenciosa e precisa.

Além das sequências de tiro em terceira pessoa, o jogo conta com trechos de escalagem intuitivos e algumas cenas de tirar o fôlego com tudo explodindo ou caindo, forçando o jogador a pensar rápido e dando aquela sensação de estar em um filme, sendo os pontos altos do jogo.

Mesmo que o tema de sobrevivência não tenha sido muito bem explorado, Tomb Raider 2013 é com certeza um jogo divertido e que vale a pena. Pode ser que esse não seja o melhor que pode ser feito com a personagem, mas ao menos trouxeram uma mulher forte em um jogo grande, o qual ela é protagonista ativa da história, em uma aventura que, apesar de alguns pequenos tropeços, é bem executada.

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