Finding Paradise – Continuação de To The moon vale a pena? – Análise

(TODO CONTEÚDO DESSE TEXTO PODE SER VISTO NO VÍDEO ACIMA)

Em 2011 saiu um jogo que seria a revolução dos jogos indies, o To The moon. Com apenas a ferramenta rpg maker e muita criatividade na cabeça, o artista Kan Gao trouxe uma das histórias mais belas e maduras já feitas para um videogame. Era incrível como um jogo tão simples poderia emocionar tanto, pois mal dava para ver o rosto dos personagens, mas mesmo assim você sentia aquela história. Desde do seu lançamento existe uma promessa, que To The moon era apenas o primeiro capítulo de uma grande saga e outras histórias igualmente maravilhosas seriam contadas também com o decorrer dessa saga. Depois de 6 anos, finalmente a prometida continuação de To The Moon foi lançada meio que de surpresa e eu já comprei na hora.

Para quem não conhece, a saga de “To the moon” se passa em um universo o qual uma empresa vende um serviço de dar um conforto final a uma vida cheia de arrependimentos ou frustrações quando as pessoas estão no leito de morte. A ideia é mudar as memórias das pessoas para que em seus últimos momentos de vida elas possam pensar que viveram a vida que eles gostariam de ter tido. Para isso dois doutores tem que invadir as memórias da pessoa para descobrir como foi sua vida e assim criar uma ilusão a qual a pessoa vai acreditar e gostar. No meio de tudo isso, vários momentos interessantes aparecem e ao menos em to the moon, eu me identifiquei com todos os personagens principais.

Já fazia anos que esperava uma continuação de to the moon e vou confessar que até tinha perdido a fé que algum dia ela chegaria. A série chegou até ter um spin off chamado de “a bird story”, que contava um enredo o qual apesar de ser simples, era impressionante tecnicamente ver um jogo mudo, o qual expressa tudo que o personagem estava sentido por símbolos e expressões corporais. “Se o spinoff já era legal, imagina o jogo oficial” eu logo pensei.



Estou explicando isso para que vocês entendam uma coisa: Finding Paradise é decepcionante. Fiquem tranquilos, não vou entrar em spoilers, pois um jogo desse o qual é fácil estragar as surpresas, já que parece que o grande foco do game é a virada de roteiro, o tal do plot twist que muitos chamam por ai. Sim, a direção de arte, apesar de minimalista, continua bela. A trilha sonora tem excelentes composições como já era esperado. O enredo continua tratando de assuntos corriqueiros da vida como arrependimentos, os quais ficam ainda mais intensos na durante a hora da morte. Mas eu simplesmente não comprei o drama do paciente da vez. A grande revelação do que o paciente realmente queria simplesmente me pareceu ridícula.

Claro que fica bastante evidente que a equipe realmente queria fazer algo diferente de To the Moon. A trama se desenvolve de formas diferentes e o paciente não tem nada a ver com o do primeiro jogo. Ele tem esposa e filho vivos, meio que não se arrependia da vida que teve, mas queria mudar algo e cabe a você descobrir o que é. Tudo isso seria muito legal se o drama dele não fosse no mínimo infantil quando você descobre o que ele realmente sente falta. Me parece que tudo foi criado para te jogar na cara que toda a resolução do mistério estava na sua frente o tempo inteiro e tem até uma parte do jogo que eles fazem questão de jogar isso detalhadamente na sua cara, com se tivesse o maior orgulho do mundo de ter enganado o espectador e realmente eu não pude prever, mas ficou faltando aquela empatia com a história, que pode ser um problema meu e eu esteja morto por dentro, já que inexplicavelmente Finding Paradise está tendo boas avaliações, porém ninguém pode dizer que fui com má vontade.

Entendo que até em alguns pontos, os desenvolvedores mostraram que ouviram críticas do primeiro e algumas coisas são diferentes, como os enigmas, que estão mais engenhosos e realmente causam mais desafio e a duração do jogo aumentou um pouco em relação ao seu antecessor, pena que esse tempo a mais foi gasto em criar um mistério, do que realmente emocionar.

Finding Paradise tenta ser diferente, mas derrapa justamente nesse ponto. Eu sei que depois do cara fazer uma obra prima como To The Moon, é normal não querer se prender, inovar e tal, mas o que importa no final é o resultado, que ao meu ver foi bastante medíocre. Me prendeu até o fim com a promessa de me surpreender e realmente entrega uma reviravolta interessante, com algo realmente imprevisível, porém eu não “comprei” a história de vida do paciente da vez, sendo um desfecho bastante sem graça.

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2 comentários sobre “Finding Paradise – Continuação de To The moon vale a pena? – Análise

  1. Bom dia tudo bem? Em parte eu entendo sua frustração… me senti assim também… Realmente a historia não foi tão emocionante ou carismática quanto to the moon…
    Spoiler

    mas finding paradise foi uma historia bonita, sobretudo nas partes relativas a esposa e filho dele… pra mim devia ser mais investido nesses 2 personagens, vimos os momentos felizes no album e nas ultimas lembranças… mas eu queria mais disso.. mais da relação com a familia.. mais dos momentos que ele não queria mudar ou esquecer. Em parte eu entendo alguns questionamentos do personagem sobre se vivemos ou aproveitamos tudo… querer se sentir completo… mas realmente a conclusão da faye não me emocionou muito, me levou a questionar algumas coisas mas, não me tocou como to the moon… fico imaginando se as vezes não estou sendo injusto com o jogo ja que ja experimentei to the moon, joguei the bird story, criei altas expectativas… quando joguei to the moon eu não tinha expectativas e isso foi otimo pois, pude ser surpreendido… mas enfim… daqui um tempo eu posso jogar novamente ou assistir uma gameplay e talvez eu goste absorva mais. mas otima a sua review

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    • Olá, Jeferson.

      Eu não pude falar com detalhes na análise do meu problema com o jogo, pois está relacionado com o tal do mistério, então vamos aos spoilers.

      ~spoilers~

      O começo do jogo eu gosto mais porque é uma história do personagem e o drama familiar dele. Isso que fazia to the moon ser tão especial. O negócio é que o jogo fica construindo o plot twist da amiga imaginária dele, algo, que na minha opinião, não tem muito valor. A amiga imaginária dele é ele mesmo, ela mesmo diz isso em alguns diálogos. Era isso que ele sentia falta? Depois do cara casar e ter filho, era a amiga imaginária dele que ele ainda sentia falta? Cara, é uma solução muito fraca, que serve apenas como um plot twist, já que ela é uma pessoa viva dentro da imaginação dele e por isso dá trabalho para os doutores, mas o drama do paciente mesmo chega a ser infantil. Durante a jogatina eu pensei em diversos finais mais pessoais e impactantes. A Faye poderia ser uma amiga de infância dele que morreu ou que nunca mais ele viu e não sabe onde ela estava. O que fez to the moon bom não foram viradas de roteiro com toque de ficção cientifica, mas sim histórias pessoais e emociantes.

      Pode ter sido uma expectativa alta, mas mesmo com a cabeça fria, ainda acho que não é uma boa história e com tantas opções de boas histórias por ai, Finding Paradise não me parece uma delas.

      De qualquer forma, obrigado pelo comentário.

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