Castlevania Netflix 1º temporada – Análise

(TODO CONTEÚDO DESSE TEXTO PODE SER VISTO NO VÍDEO ACIMA)
Quando foi anunciado um desenho baseado em Castlevania, uma das séries de jogos que mais amo, a primeira reação minha foi medo. Podem me julgar por isso, mas depois de tantos jogos porcamente adaptados para o cinema e até mesmo para os animes, como a animação de Persona 4, que de tão inferior ao material original, todo mundo envolvido nela deveria ser preso. Por esses motivos, não pude deixar de pensar que Castlevania seguiria o mesmo destino. Logo me tranquilizei com a informação que o estúdio envolvido seria o Frederator Studios, o mesmo de Hora da Aventura e Padrinhos mágicos, animações de excelente qualidade e principalmente criatividade, fatores muito importantes para adaptar um jogo, mídia a qual não é conhecida por contar histórias bem, justamente porque muitas vezes o desafio é mais importante do que o enredo, como no caso de Castlevania.

Uma pessoa que não é fã da série ou a conhece de modo superficial, tentaria adaptar o primeiro jogo da série ou até mesmo o mais famoso, mas a escolha de adaptar o terceiro jogo mostra que estão no caminho certo. Os eventos de castlevania 3 e da relação do Drácula com o Alucard são o alicerce do enredo da série. Diferente de outros jogos da série, castlevania 3 tinha 4 protagonistas, embora só dava para jogar com 2 deles de uma vez, porém entrega um dos trechos da história com maior potencial de introduzir o espectador ao começo de uma trama que se arrasta por séculos.

Claro que todas essas boas intenções poderiam se mostrar inúteis se o resultado final não fosse bom, o que não foi o caso de Castlevania, sendo até então uma das melhores adaptações de jogos para animação. Eu sei que tem muito fã que saiu cuspindo fogo pelas liberdades as quais a animação tomou, mas é preciso entender que qualquer obra que não tem muita história para ser explorada, vai precisar que insiram mais conteúdo. Sejamos francos, o enredo dos jogos de castlevania é bem simples e não tem muito material para que se faça uma adaptação mais liberal, como é feita com livros, por exemplo. A história da série nem chega a ser excelente, apenas tomaram cuidado de fazer uma sequência de eventos minimamente ligadas, mas muito daquele mundo é preenchido pela imaginação dos fãs.

A vontade de adaptar bem não foi a única que moveu esse projeto: A ousadia é parte fundamental da execução dessa animação. Além de ser bem detalhadamente violento, ainda toca em assuntos, como a religião na idade média e como ela influenciava e controlava as pessoas, ditando ordem e punindo severamente quem não as seguia. Nesse contexto, a obra resolve explorar como as pessoas comuns vêem o Drácula e os Belmonts, uma visão que não lembro de ter visto antes na série.

Não vou mentir que alguma coisa eu gostaria de ter visto na série, como o Trevor Belmont rezando em um túmulo, o clássico começo começo do jogo original, mas entendo porque não colocaram. Trevor, o último herdeiro do clã Belmont, famoso por caça vampiros e criaturas sobrenaturais, é apresentando como um cara de desistiu de ligar para o que está acontecendo, apenas faz o seu trabalho, um personagem que tem muito a crescer.

A motivação do ódio do Drácula pelos humanos também é muito bem construída. Não vou negar que meu tipo preferido de vilão é aquele que entendo as razões dele ser o antagonista. Na vida real, não existem vilões, tirando alguns psicopatas, sendo que a grande maioria das pessoas ruins acham que estão fazendo algo certo e apesar da vingança de Drácula atingir muito mais pessoas do que deveria, eu sinto que quase ninguém manteria a calma por saber que sua pessoa mais amada foi morta na fogueira e ainda era absolutamente inocente.

Mesmo que haja muitas liberdades no roteiro, o principal de Castlevania 3 está lá, como Trevor Belmont e sua missão de matar o Drácula, juntamente com seus aliados, a maga Sypha Belnades e o Alucard, o filho rebelde do Drácula. Ficou faltando o pirata Grant DaNasty, talvez planejado para ser inserido na segunda temporada. Alucard só aparece nos minutos finais dessa curtíssima temporada de apenas 4 episódios. Já Sypha tem um passado um pouco mais trabalhado, virou integrante de uma sociedade de tradição oral, isto é, seus costumes não são escritos, transmitidos apenas pela fala, algo que existia nessa época, na qual a pressa, instrumento utilizado para copiar livros, ainda não era permitida, fatos que enriquecem ainda mais aquele mundo.

Como a história dos jogos é quase mínima, nunca pude saber a personalidade de Trevor, Alucard ou qualquer outro personagem da série. Dá para ter ideia que o Alucard era meio calado e elegante, mas nada além disso. Os produtores então resolveram colocar o Trevor como alguém revoltado com algo que não foi explicado ainda, Sypha como uma mulher decidida e Alucard fez o papel de enigmático. Não foi nada demais, porém não pude deixar de gostar e acreditar no crescimento de Trevor apoiado pelos outros personagens, embora isso não tenha sido mostrado ainda.


Vi muita gente também reclamando do visual da animação. Bom, dá para ver que houve sim um cuidado e bastante trabalho, principalmente nas cenas de ação. Os efeitos de luz e sombras, assim como a direção de arte passaram todo o clima gótico que os jogos são famosos por entregar. Já o traço dos personagens é simplesmente OK, não chega a ser feio, mas não se destaca.

Como um bom aperitivo, esses quatros episódios de Castlevania do Netflix deixaram os espectadores naquela vontade de experimentar o prato principal. Felizmente já foi confirmada outra temporada da animação com o dobro de episódios. Tomara que não deixem a peteca cair mais para frente, pois a introdução da história foi muito boa e vale a pena ser assistida, mesmo que você nunca tenha jogado nenhum jogo da série.

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