Odallus – Jogo brasileiro inspirado em clássicos dos anos 80

(TODO CONTEÚDO DESSE TEXTO PODE SER VISTO NO VÍDEO ACIMA)
Depois do grande crash dos videogames, os jogos voltaram a ser populares com o nintendo 8 bits. Diferente do atari 2600, os jogos do console da nintendo exigiam um pouco menos da imaginação do jogador, mas ainda sim tinham gráficos e elementos de jogabilidade limitados se comparados com os que podem ser feitos hoje em dia. Eles eram curtos, tinham poucas fases e não haviam muitas cores disponíveis, mas para compensar a baixa longevidade, eram bastante desafiadores. Logo, os jogos foram ficando com gráficos mais elaborados e a dificuldade foi diminuída, já que as mídias de armazenamento em disco ofereciam muito mais espaço e assim os desenvolvedores não precisavam apelar para dificuldade para deixar os jogos mais longos. Como tudo que é velho, eventualmente vai voltar a ser novo, os desenvolvedores independentes olharam para esses jogos antigos e resolveram reproduzir as coisas boas que eram feitas neles. Um desses projetos foi o “Odallus: The Dark Call” feito pelo estúdio brasileiro, Joymasher, que não é exatamente um jogo do jeito que era feito antigamente, mas sim da forma que nós lembramos que eles eram.

Sim, existe uma diferença do design antigo de jogos de plataforma dos anos 80 e o que o Odallus fez, que muitos saudosistas podem não perceber. Apesar das inspirações óbvias em clássicos como Castlevania, esse jogo ajusta algumas coisas frustrantes dessa época, mas que por limitação dos consoles de 8 bits, não poderiam ser feitas no final dos anos 80, adicionando algumas funcionalidades, como o sistema de salvamento, que você não perde nada do que fez. Se você pegou um item e morreu, não se preocupe, aquele item ainda vai estar com você quando voltar ao ponto de salvamento ou para o começo da fase. Mesmo assim, Odallus é bastante desafiador, mas se não fosse a garantia que você não perderia seu progresso ao vasculhar o cenário, a exploração, que é um dos elementos mais fortes desse jogo, seria cansativa. Como muitos dos segredos escondidos nas fases deixam o personagem mais forte, a exploração serve também para o próprio jogador definir a dificuldade que ele deseja, já que o jogo pode ficar bem difícil se você apenas seguir até o final dos estágios sem pegar nenhum item.

A primeira vista, alguns podem pensar que Odallus é um “metroidvania”, mas é um pouco complicado afirmar isso com certeza, pois apesar de emprestar vários elementos desse estilo, como melhoramentos que você encontra pelos cenários, ele não conta com um mapa único, mas sim várias fases que se você perder todas as vidas, volta para o começo delas, meio parecido com Demon’s Crest. Os estágios têm um bom design e contam com alguns elementos poucos frequentes nesse tipo de jogo, os enigmas, que resolvê-los liberarão passagens e itens. Outro elemento que esse jogo importa dos metroidvanias são os itens que te dão habilidades para você passar por lugares que antes eram bloqueados. Não tem nenhuma novidade nas habilidades que você recebe, que tantos outros jogos já não tenham feito, mas foram o suficiente para me prender até o fim e me incentivar a voltar nas mesmas fases algumas vezes, até porque esse jogo conta com um recurso que acho que qualquer jogo incentive a exploração e seja dividido por fases deveria ter: Ele te mostra quantos segredos faltam para descobrir em cada uma das fases. Em jogos como Megaman X, eu fico obcecado em tentar coletar todos os melhoramentos, mesmo que não sejam necessários para finalizar o game e esse detalhe implementado no Odallus parece que entende essa vontade que vários jogadores, como eu, tem de coletar tudo, ainda mais em um jogo com dificuldade é tão elevada em que os itens facilitam, incentivando ainda mais a exploração, pois você não vai perder tempo procurando em fases que não tem mais nada.

Se alguns elementos dão uma modernizada na experiência, todo o resto parece ter vindo dos anos 80, como personagens e cenários com poucas cores, que para as pessoas mais jovens pode parecer feio, mas para mim é um estilo de arte bem agradável por ser minimalista, mostrando que mesmo imagens de baixa resolução e variedades de cores podem ser bonitas. A temática da história, inspirada em Highlander, é típica de jogos antigos, mas em seus momentos finais até surpreende por bons diálogos e reviravoltas. O combate e movimentação do personagem também são básicos, lembrando bastante os de Castlevania, só que no lugar de chicote, o protagonista usa uma espada que tem um ataque mais curto, fazendo com que o jogador se exponha mais ao dano para poder atacar. Para ferir inimigos a longa distância, pode ser utilizado as sub armas, que não servem apenas para combate, mas também para liberarem caminhos bloqueados.

Uma das maiores dificuldades que os jogadores dos anos 80 enfrentavam nos videogames, os chefes difíceis, não poderiam ficar de fora de um jogo que faz referência a títulos dessa época. Eles são bastante diferentes, alguns com visuais grotescos e sempre criativos, com padrões de ataque que depois que você domina, consegue vencê-los sem tomar dano, mas até chegar a esse ponto, vai sofrer um pouco, mas não tanto, principalmente se tiver coletado alguns melhoramentos, que vão aumentar diversos dos atributos do personagem.

Odallus The Dark Call vai além da homenagem a jogos antigos que tantos outros títulos indies já fizeram, apostando em um visual simples e retrô, porém bonito e criativo, polindo mecânicas clássicas sem deixar tudo fácil demais, não sendo um jogo exatamente do jeito que era feito antigamente, mas vai fazer você lembrar e experienciar o melhor que os jogos de plataforma 2d poderiam entregar na época dos 8 bits, sem se frustrar muito com decisões de design que não funcionam atualmente.

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