99 vidas o jogo – Análise de um dos melhores jogos brasileiros

(TODO CONTEÚDO DESSA ANÁLISE DE 99 VIDAS O JOGO PODE SER VISTO NO VÍDEO ACIMA)

Nos começo dos anos 90, os jogos beat n up, conhecidos aqui no brasil como briga de rua, dominavam os fliperamas e consoles. Traziam uma simplicidade que qualquer um conseguia jogar, mas dominar era tarefa para poucos. Com o passar do tempo, o estilo caiu na mesmice e acabou se transformando nos hack n’ slashs, adquirindo um pouco mais de profundidade no lugar de apenas apertar o mesmo botão feito louco. Em 2015, apareceu no catarse o 99 vidas o jogo, projeto do estúdio QUByte, uma empresa que tinha até dado as caras na E3, em parecia com o podcast 99 vidas, um dos programas de áudio sobre videogames mais famosos do Brasil. Cheguei a jogar a demo, disponível desde do primeiro dia da campanha de financiamento, e o jogo era gostoso de jogar, então resolvi apoiar o projeto de forma despretensiosa, esperando que fosse apenas um joguinho de final de semana e nada mais.

Quando finalmente testei o jogo, fiquei impressionado. Já joguei muitos games desse estilo e realmente tinha pensado que a fonte de ideias para esse tipo de jogo tinha secado e o que eu vi foram possibilidades que me deixaram pensando na razão de alguém não ter feito isso antes. Não que mecanicamente o jogo seja uma revolução, na verdade ele cumpre tudo que se espera de games “briga de rua”, isto é, um monte de inimigos e você derrotando todos eles apertando os botões de golpes feito louco. Assim como em Double Dragon, existem botões de soco e chute, porém com uma jogabilidade muito mais fluída e com a possibilidade de realizar combos. Em Final Fight, por exemplo, você só aperta o mesmo botão de golpe e o personagem executa o combo sozinho. Já no 99 vidas o jogo, existem opções de combinações, algumas predefinidas que serão mais fortes, porém se você quebrar um combo de socos com um chute, por exemplo, vai jogar o inimigo para longe um pouco mais cedo a tempo de reagir a inimigos que estão te cercando. Cada combo é eficiente de acordo com a situação, o que dá uma dose maior de estratégia do que simplesmente apertar botões feito louco.

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Os gráficos pixelados e o estilo de jogo carente de novos lançamentos, já mostram que intenção é reviver uma época. Tem muitos jogos por aí com essa finalidade, porém o diferencial aqui é a forma que ele expõe o modo que as pessoas se relacionavam com videogames nos anos 80 e 90 no Brasil. Você vai fazer uma viagem ao passado, vendo moleques jogando nos botecos, visitar camelódromos ao ar livre e caçar confusão em locadoras de jogos, aqueles lugares que toda galera do bairro se reunia para jogar e falar sobre videogames.

Geralmente a inteligência artificial nesse tipo de jogo é fraca, mas não em 99 vidas o jogo. Aqui os inimigos vão te cercar, fugir, defender e algumas vezes vão esperar você atacar para fazer contra ataques, sendo necessário você conhecer bem o comportamento de alguns deles para não se dar mal.

Conteúdo é que não falta. Você começa com 4 personagens, sendo que pode liberar mais 7 e nada de desbloquear por DLC não, pois assim como os jogos das antigas, você vai destravar quando mostrar que é bom. Os 4 protagonistas do game são os integrantes do podcast que dá nome ao jogo.

Jurandir é o que controla o elemento gelo. Tem ataque e velocidade equilibrados, se veste como leão e adoro jogo ruim.

Izzy controla o elemento do raio. Adora cores e não gosta muito de dificuldade.

Evandro controla o elemento pedra. É o membro mais ligado com os paranauês das ruas. Seu personagem é lento, porém forte.

Bruno controla o elemento do fogo. Geralmente é o personagem que mais expõe as inúmeras referências que o jogo tem. Uma curiosidade é que ele é creditado como único game design do jogo, isto é, ele bolou e tomou as principais decisões de como o jogo seria. Não sei se ele tem experiência ou se foi ajudado pelos membros da QUByte, porém o trabalho que ele fez aqui está de parabéns e demonstrou que ele conhece muito bem esse gênero de jogo.

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99 vidas o jogo pega emprestado algumas coisas de jogos mais novos, como o sistema de melhoramento dos personagens. No final de cada fase, você ganha pontos que podem ser gastos para melhorar as habilidade naturais dos personagens. Recomendo não deixar de comprar muitas vidas, pois você vai precisar delas, já que você não vai ter 99 vidas (tum dum tis).

Algumas características são emprestadas de outros jogos, como os especiais, que lembram bastante os vistos na série Golden Axe. Batendo no inimigo, você vai enchendo a barra de especial que tem dois níveis. O especial de duas barras é mais forte, mas o de uma barra também acerta todos os inimigos. Saber a hora de usá-los é importante para o progresso, pois pode te tirar de algumas enrascadas.

A trilha sonora é sem dúvidas a parte do jogo que não tem o que reclamar. Ela é viciante e gruda na cabeça, principalmente a da primeira fase, que parece baião dos mais arretados rodando no super nintendo.

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Não pude testar o coop online, pois não estava ativo quando fiz essa análise, porém testei o modo coop offline e funciona bem. Jogar com outras pessoas não quer dizer que o jogo vai ficar mais fácil, pois a dificuldade dele adapta, jogando mais inimigos em tela de acordo com o número de jogadores.

Você pode estar se perguntando “Eu adoro esse tipo de jogo, mas não conheço o podcast, será que esse jogo é para mim?” Eu diria que sim. Claro que quem ouve o programa em áudio, vai reconhecer as inúmeras referências, mas quem não ouve, vai apreciar um jogo muito bem feito, com mecânicas que foram claramente polidas para ficarem bem equilibradas, com uma dificuldade acima da média para os padrões de hoje, mas nada impossível, sem falar que o jogo não faz referência apenas ao podcast, mas sim a toda uma era, com inimigos, mecânicas e cenários que lembram bastante os de jogos clássicos. É compra garantida para quem gosta do estilo.

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