Coisas novas – Você está aceitando elas?

As vezes eu fico meio encucado com a falta de capacidade das pessoas de aceitarem coisas novas que eu chego a me questionar. Eu sou um cara que gosto de coisas novas e velhas desde de sempre, mas aos poucos vou conhecendo as coisas velhas, porque o novo sempre está mais na mídia. Lembro até hoje que fiquei com vergonha de contar para a minha classe no ensino médio que o meu filme preferido da época era “De Volta para o Futuro”, porque era um filme antigo demais. Hoje acontece o contrário, eu com os meus 30 anos falo que gosto de coisas novas e crítico coisas da minha época e caras de 15 me chamam de “leite com pêra” (gíria do away de Petrópolis, que quer dizer “garoto que não conhece as coisas”). Hoje eu percebi que o meu único problema, que pode ser encarado também como qualidade, é não se apegar a coisas do passado com se fossem as melhores. Menos mal, porque durante um bom tempo da minha vida eu não precisarei ler “Quem mexeu no meu queijo”, porém escrevo esse texto não para me defender, mas para tentar salvar quem ainda pode ser salvo.

O primeiro estágio do envelhecimento é estabelecer o que é bom e não mudar de opinião. Isso não é de todo ruim, na verdade estabelecer coisas boas cria experiência na pessoa, porém a coisa começa a prejudicar quando o indivíduo vê uma coisa aparentemente do mesmo nível ou pouco superior e diz “foda-se, o meu é melhor e isso ai é um lixo”. Esse estágio gera uma grande confusão, porque a novidade não vai acrescentar muito e mudar gera dor e nosso cérebro não quer dor, não quer errar mais.

O segundo e último estágio (sim, acontece quando você não espera) é quando você sabe que a novidade é melhor, que vai facilitar a sua vida, mas você perdeu tanto tempo negando as outras novidades, que agora vai sofrer muito mais para aceitar essa coisa nova, tipo a sua mãe, que sabe que computador é uma ferramenta fantástica e que ela poderia fazer coisas excelentes naquela maquina, mas agora o caminho é longo demais e ela já desacostumou em procurar e aprender coisas novas e ai vem o medo de ficar para trás, medo que já se tornou uma realidade e você nem percebeu.

O caminho para passar do primeiro para o segundo estágio é simples: Nem se dar o trabalho de experimentar coisas novas e caso experimente, já ficar com aquele olho atento para ver só os defeitos e elaborar motivos com fundamentos que se você pensasse direito veria que eles não tem muita lógica e assim estabelecer que o você gosta é o melhor, porque você precisa defender o seu pensamento do que é “bom” a todo custo, aquela famosa “má vontade de experimentar”.

O caso mais comum que eu vejo isso acontecer é nas dublagens. Quando o cara ouve o áudio original em português Brasil primeiro, ele adora e acha que aquilo ali é melhor que o original e quando ouve a dublagem depois de ouvir o original, acha justamente o contrário. Não tem critério, não conseguem avaliar as duas pelas qualidade técnicas, coerência da vozes com os personagens, etc. Sim, eu sei que tem gente que não gosta de dublagem e pronto, só vê com dublagem se não tiver opção e eu respeito isso, porque nesse caso não é uma questão de costume e sim de gosto com individualidade, mas falando nisso, muita gente confunde costume com gosto e não são a mesma coisa. Gosto é uma questão individual da pessoa, sua personalidade não combina com aquilo, agora o costume te cega para aquilo que você poderia gostar, mas não está acostumado.

Não vou dizer que nunca cometi esse erro. Já cometi e provavelmente estou cometendo mesmo sem saber e vou citar um caso que eu consegui enxergar: Já falei mal de um dos jogos que eu mais gosto que é Resident Evil 4. O motivo é simples, a série se baseava no terror, mas percebendo que ninguém estava mais se assustando com videogames e todo o género estava em baixa, mudaram a série para ação. Eu não tinha jogado e falei mal, mas quando joguei, percebi que era diferente mas mesmo assim era bom, vencendo até a minha má vontade de experimentar e aquilo foi o gatilho para o pensamento que eu tenho hoje. Na época eu pensava que “só os jogos antigos que prestam” e minha vida pessoal e profissional estava do mesmo jeito, mas acordei com um tapa na cara e falei “puta merda, o que eu estou fazendo” e o pior é que eu já tinha falado mal do jogo para todo mundo e tive que dizer o contrário depois, o que não é fácil.

Esses dias estava discutindo em um fórum sobre o livro “Sangue Quente”, que conta a história de um zumbi em uma mitologia que eles comem cérebros para ter lembranças das vida dos outros, pois eles mesmo não tem da vida deles e mal lembram do dia-a-dia e por isso a lembrança dos vivos é como se fosse uma droga, então um dia esse zumbi come um cérebro diferente que tem ideias tão fortes que mudam o jeito dele ver o mundo e a vítima era apaixonada por uma garota e esse zumbi a medida que vai absorvendo as lembranças vai cada vez gostando mais dessa garota. Garanto a vocês, que mesmo que eu não tenha explicado corretamente, o autor explicou tudo e ainda se baseou no que o pai dos zumbis, o Romero, já estava fazendo zumbis que pensam nos seus filmes. Vi o comentário nesse fórum como “a crespulização dos zumbis”. Afirmo para vocês, Sangue-Quente de nada tenta introduzir romances sebosos, faz apologia a virgindade e idealiza um homem perfeito que não existe que são os principais defeitos de Crepúsculo, muito pelo contrário, a garota fuma maconha e já se prostituiu e o zumbi não é super protetor, na verdade ele mal pensa como humano, só tem ideias de outra pessoa na cabeça. O autor ainda respeita a obra de Romero apenas colocando a ideia “e se dentro daquele cadáver andante, possa ter uma mente perturbada, mas que ainda tem capacidade mínima de pensar?” É muito mais fácil ver isso como “é um Crepúsculo e pronto” ou “isso não é zumbi”, porque você tem a sua concepção de zumbi, sabe que já saiu muita coisa boa daquilo que você está acostumado, você tem que defender o seu ideal, não pode deixar que apareça algo que derrube o que você acredita e eu gosto de chamar isso (embora não seja eu que tenha inventado o tempo) de crença limitadora. Você acredita em algo e aquilo faz com que você não experimente coisas novas e assim você se auto limita.

Tudo que eu disse aqui são exemplos, mas pode ser (e prestem atenção nisso para não me xingar nos comentários) que não seja o seu caso, que seu gosto não combina com aquilo, mas sempre desconfie de si mesmo. Será que você não gosta daquilo porque é da sua personalidade ou costume? Por que os mais jovens estão gostando daquilo e você não? Tudo de realmente novo que saiu é emo e gay como todos os mais velhos estão falando?

O que eu quero deixar bem claro é que uma pessoa de 20 e poucos anos já é normal estar entrando no primeiro estágio, mas você garoto de 15, tome cuidado, não comece um negócio desses precocemente, porque quando você tiver 30, já vai ter uma mentalidade de velho de asilo. Talvez você seja o zumbi e as gerações mais novas já estão pensando que você não tem capacidade de aprender nada, então vai querer que corra um “sangue quente” nas suas veias ou vai continuar apodrecendo sem fazer nada?!

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