Death Note – Análise do Dorama

Não é raro ouvir as pessoas dizendo que o material original é sempre melhor que a adaptação. Claro que muitas dessas opiniões são de pessoas que queriam na adaptação exatamente o que estava no material original, não aceitando nenhuma mudança, entretanto não são raros os casos de oportunidades perdidas de melhorar o que já era bom, captando milhares de opiniões dos fãs. Fico muito alegre em comunicar que o dorama de Death Note é um desses raros casos, ainda mais considerando que veio depois de um excelente mangá e um anime de sucesso.

Para quem não conhece, Death Note conta a história de Light Yagami, o estudante comum que encontra um caderno que mata qualquer pessoa que tenha o nome escrito e que quem escreveu saiba o rosto da vítima. O jovem resolve utilizar esse poder para trazer justiça ao mundo, matando todos os criminosos não condenados pela lei. Isso chama a atenção do maior detetive do mundo, o “L”, que acredita na justiça convencional e quer caçar Kira (o apelido que Light recebe das pessoas).

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Death Note é utiliza um contexto fantástico para debater uma grande polêmica que é a pena de morte. Assim que o caderno começa a ser usado, os indices de criminalidade diminuem bastante, mas a todo mundo a obra levanta o questionamento se tudo aqui é correto mesmo. Não existe vilões ou mocinhos na obra e esse dorama consegue deixa essa diferença ainda menos evidente. Por mais que o mangá original tente deixar o leitor da dúvida de qual dos protagonistas está certo, eles retratam Light como vilão, com suas risadas malignas e uma psicopatia que passa por cima de todo mundo para conseguir seus objetivos e “L” acaba sendo um herói clássico, que por mais que use um ou outro método não ortodoxo, acaba sendo bonzinho demais. No dorama, Light é muito mais humano, se preocupa com seu família e até mesmo com seus aliados, enquanto “L” não tem o menor pudor em utilizar diversos métodos escrotos e ainda sente prazer em fazer tudo aquilo, com um sorriso no rosto toda vez que joga Light contra a parede.

Diferente de outras histórias de detetive, em Death Note “todas as cartas estão sobre a mesa”, pois logo de inicio você já sabe que é o “L” e o quem “Kira”, porém eles não sabem inicialmente a identidade do outro e para algum deles vencer, vai ter que se aproximar do inimigo arriscando tudo. Se “L” tiver seu nome relevado, ele poderia ser escrito no caderno e se Light for pego, ficará preso, provavelmente pegando prisão perpetua ou sendo executado. Esse “jogo de gato e rato duplo” já era uma das principais qualidades da obra original que também foi melhorada nos doramas, sendo muito mais dificil ver deduções que não tinham como os personagens advinharem e para aqueles que pensam que saber exatamente a resolução dos mistérios, se preparem para diversas surpresas durante todo o seriado.

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A escolha de elenco e direção dos atores, coisas que muitas vezes me dão vergonha alheia quando se trata de adaptações de animes, acabou surpreendendo. Excelentes atuações que não são forçadas quanto no mangá, entendendo que midias diferentes pedem expressões corpotais distintas.

Como é bom ver uma oportunidade aproveitada de melhorar o que já era bom. Se tratando de Death Note, as chances de “mexer em um time que estava ganhando” e estragar tudo, estavam contra os produtores desse dorama, mas eles conseguiram. Recomendo para qualquer um que goste de boas histórias de detetive e não tenha preconceito contra atores falando em japonês.

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